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24-03-2010
10:55hrs
Restam as memorias da Festa de Camarões
Futuro negro o que adivinha na Festa de Camarões, 3 anos
de má gestão, proliferação de má fama e acções desprezíveis, lamentáveis e
sem vergonha por parte de supostos dirigentes mas sobretudo habitantes
reconhecidos por todos. Mal dos que trabalharam humildemente, que lutaram
nestes 3 anos para que tudo corresse bem, para esses estas palavras não lhes
devem servir mas, a outros ficam-lhes tão bem. Que futuro sombrio, ninguém
quer assumir responsabilidades, todos apontam o dedo mas acima de tudo
ninguém reconhece a verdade que em cada um de nós coabita a
responsabilidade, porque calamos a crítica, porque criticamos sem construir
ou porque simplesmente convivemos pávidos e serenos com o desenrolar dos
acontecimentos, com o desmoronar de uma tradição secular com o denegrir da
nossa seriedade e humildade como habitantes de uma terra que até á bem pouco
tempo tinha uma tradição, tinha as suas gentes, a sua humildade e seriedade.
Ás portas de Abril ainda não existe uma direcção, não
existe quem queira seguir com a tradição, o povo tem vergonha, tem medo da
critica, medo do resultado financeiro dos últimos anos ou simplesmente a
tradição já não é mais o que era.
A Comissão de capela já veio assumir que se responsabiliza
pela realização de parte da tradição religiosa, algumas missas serão dadas,
a procissão das velas e a procissão de Domingo estão mais que certas mas
toda a tradição pagã, secular na nossa aldeia está posta de parte.
Correm rumores de um pequeno grupo de pessoas que poderão
fazer parte das festividades pagãs, pôr uns artistas num palco, um pouco de
ornamentação e farturas. Talvez seja essa a nossa futura tradição, sem o
carro da prata, sem o ir buscar a prata á Igreja Matriz da nossa freguesia,
sem as pedidas por Aruil e Camarões acompanhados ao som dos Gaiteiros da
Jardia, sem as alvoradas com foguetes e morteiros… que restem as memorias
pois o futuro é negro para a nossa tradição.
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Texto
por: Luís Leonardo
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